Título: Wake of the Red Witch – Parte 1
Fandom: The Mentalist
Personagem: Cho
Set: Outono
Tema: 19.Vodka
Gênero: Comédia
Classificação: PG-13
Sumário: Cho estava tendo uma péssima semana.
Aviso: Participação especial de Tamzin Dove, a bruxinha do episódio Red Rum.
1.
“I remember when, I remember, I remember when I lost my mind”
E lógico que aquilo tinha que acontecer logo no final de semana do casamento de sua própria irmã. Não gostava nem de imaginar a reação da mãe ou de alguma de suas irmãs caso atendessem o telefonema da maluca. No mínimo convidariam a tal sobrinha da mulher para ir a festa e ele seria obrigado a ficar responsável por ela. Isso se não decidissem casá-lo de uma vez para aproveitar a cerimônia e a comemoração. Aquele era bem o estilo das mentes malignas de sua família. Tinha ficado tão nervoso diante das terríveis possibilidades que acabou desligando o aparelho, apenas para ter um pouco de paz. Esperava que nenhum caso tivesse surgido, mas por via das dúvidas, assim que chegasse no trabalho na segunda-feira mataria Rigsby.
Passou a cerimônia inteira imaginando possíveis cenários de como mataria o colega. Aquilo foi o bastante para que mantivesse um sorriso, um tanto quanto sádico, no rosto e evitasse dormir durante as partes chatas. Já não podia mais dizer que Risgby não servia para nada. A festa passou em um borrão de bebidas, música alta, parentes escandalosos e tentativas infrutíferas de lhe empurrarem uma esposa goela abaixo. Depois que a sétima tia-avó se aproximou com mais uma “linda filha solteira de um parente distante e/ou amigo da família”, Cho se desculpou com a jovem, pediu licença a mãe e disse que ia até a esquina comprar cigarro. Conseguiu alcançar a rua antes que alguém lembrasse que ele não fumava.
Andou, sem tropeçar nos próprios pés, até o ponto de táxi mais próximo. Infelizmente só chegou a tempo de ver o único táxi que estava no lugar sair lotado de uns tipos estranhos vestidos de preto.
-Merda...-chutou as garrafas de vinho vazias que o grupo tinha deixado para trás.-Odeio punks. –completou em voz alta, praticamente falando com a noite.
-Hmm, eles não são punks.-uma voz feminina e um tanto sonhadora respondeu.
Cho olhou para os lados em busca de quem tinha falado, mas era a única pessoa da rua. Já tinha decidido que havia imaginado a voz quando sentiu puxarem a parte de trás de seu casaco. Em um gesto automático levou a mão até a cintura, na altura onde devia estar o coldre, mas encontrou apenas ar. Lembrou com arrependimento que tinha deixado a arma em casa. Virou o corpo na direção de seu atacante, já preparado para se defender ou vomitar em cima dele, dependendo do que conseguisse fazer primeiro no estado de embriagues que se encontrava.
Por sorte não foi preciso nem uma coisa, nem outra. Embora seu estomago tenha se revirado involuntariamente assim que identificou a figura parada a sua frente. Tamzin Dove, a bruxa. Deu um passo para trás apreensivo. Podia estar um pouco bêbado, mas álcool nenhum no mundo seria capaz de faze-lo esquecer os riscos de se ficar sozinho com uma bruxa. Ainda mais aquela que havia lançado um feitiço nele poucos minutos depois de conhece-lo.
Tamzin apenas sorriu e ignorando, ou não, o desconforto do homem, deu um passo para frente voltando a se aproximar de Cho. O movimento o desconcertou momentaneamente o que fez com que ele ficasse imóvel enquanto a bruxa inclinava o corpo em sua direção. E atingisse a nota máxima numa escala de 0 a 10 das ações mais surpreendentes e bizarras do mundo, quando se pôs a cheira-lo. Depois de incontáveis e constrangedores minutos, onde o único som a ecoar na noite era o que a mulher fazia enquanto farejava as roupas de Cho, ela finalmente se afastou sorrindo satisfeita enquanto deixava escapar um suspiro contente.
-Vodka!-comentou ajeitando o cabelo e aparentemente se divertindo com a expressão confusa e apreensiva que dançava no rosto de Cho.
-O que?-ele perguntou depois de contar até dez e questionar a própria sanidade.
-Você está cheirando como uma destilaria russa.
-O que você quer dizer com isso?
-Que você fede a bebida...
-Hey, escuta aqui... é... hmm...
-Tamzin.
-Isso! Eu não estou interessado na sua opinião. Não gosto de bruxas. Por que você não pega a sua vassoura e dá o fora?
A risada da bruxa encheu o ar de eletricidade, ou talvez tenha sido apenas a imaginação irracional de Cho ampliada cinco vezes pelo poder do álcool em seu sangue. De qualquer forma, ele sentiu medo. Embora em versões futuras negasse até a morte que tivesse se deixado levar pelo terror psicológico daquela bruxa louca, como ele gostava de se referir a Tamzin.
-Infelizmente a deixei em casa essa noite. E eu não seria uma boa cidadã se te abandonasse nesse momento de necessidade.
-Eu não estou passando por momento... não estou... não isso!-se defendeu com eloqüência.
-É mesmo? Oh, então desculpe, erro meu.
O sorriso que ela deu fez com que ele lembrasse do gato de Alice no País das Maravilhas. E de quanto ele detestava aquele gato. E de quanto ele odiava aquele filme que tinha sido obrigado a assistir com as sobrinhas há pouco mais de 8 horas atrás. Desviou o olhar e se contentou em encarar o céu sem estrelas, era provável que chovesse e ele preferia estar em casa debaixo das cobertas quando o temporal caísse. Depois de cinco minutos começou a ficar incomodado com o silêncio. Porque se a mente vazia era oficina do demônio, uma bruxa quieta só podia estar recebendo uma mensagem maligna do mestre das trevas... Ou algo assim. Um trovão roncou longe e Cho encarou aquilo como um sinal de que Deus concordava com ele. Tinha que sair logo dali antes que acabasse com outro feitiço nas costas. Outro trovão e sentiu uma gota gelada de chuva bater em cheio na ponta de seu nariz. Arriscou uma olhada na direção da bruxa e se arrependeu assim que seus olhos cruzaram com os dela, havia esse brilho de contentamento que o deixou com frio na espinha.
Voltou a olhar para rua e agradeceu aos céus quando segundos depois um táxi apareceu virando a esquina. Uma chuva fina começou a cair.
-Uma pena que você já vai tão cedo.
Tamzin disse sem se preocupar em esconder o contentamento por trás das palavras. Cho riu e olhou mais uma vez na direção dela.
-É, uma pena... Bem, até nunca mais!
Se despediu satisfeito por estar indo embora.
-Nunca mais? Continue assim e posso até achar que você não gosta de mim.
-Não ache, tenha certeza!
-Você é tão engraçado.
-Não, não sou!
-Para provar que não tenho nada contra você vou te dar um presente.-e dizendo isso ela se aproximou invadindo novamente o espaço dele. A chuva começou a cair mais forte.
-Não, obrigado.-Cho se pôs a acenar freneticamente para o táxi temendo que ele passasse direto.
-Não se deve dizer não a presentes dados de coração.
-Se deve dizer não a presentes dados por você!-tentou dar um passo para trás se distanciando dela, mas Tamzin foi mais rápida e tornou a tarefa impossível quando segurou seu colarinho e o puxou para baixo, fazendo com que Cho dobrasse o corpo e ficasse com os olhos, arregalados de terror, na altura dos dela.
O táxi estacionou ao lado deles, mas o motorista não fez o menor sinal de compreender o que estava acontecendo ali, apenas pegou uma garrafa térmica e despejou um pouco de café quente enquanto assistia com interesse o estranho casal do lado de fora se despedir debaixo de chuva. Bebeu o café já calculando quanto gastaria de lavanderia graças àquela gente molhada. Tamzin encarou Cho com seriedade durante longos segundos até abrir um sorriso encantador, para não dizer diabólico, e apertar o dedão da mão direita no meio da testa dele enquanto dizia: -Abracadabra!
Cho piscou algumas vezes sem acreditar no que tinha escutado, talvez estivesse realmente bêbado. Era a única explicação. Aquilo tudo só podia ser um pesadelo. Não devia ter bebido tanto na festa. A bruxa o soltou e abriu a porta de trás do táxi, acenou para o motorista e empurrou Cho para dentro do veículo.
-Faça uma boa viagem e até breve!
Novamente sentiu como se a risada dela enchesse o ar de eletricidade. Não lembrava de ter dito ao motorista para onde ia, mas de qualquer forma quando acordou no meio da tarde do dia seguinte estava em casa.
Passou o resto do que sobrou do dia feito um zumbi, arrancou o cabo do telefone depois que o aparelho ousou tocar pela oitava vez, se arrastou até a cozinha e comeu tudo o que encontrou ainda na validade dentro da geladeira. Depois voltou para a cama e dormiu até a manhã seguinte.
A primeira coisa que fez ao acordar foi decidir que todos os fatos nebulosos que tinham acontecido depois que fugiu da festa de casamento eram obras da sua imaginação. Tomou um banho relaxante e depois de se arrumar rápido seguiu para o trabalho sentindo-se bem disposto. Mas assim que colocou os pés no prédio as coisas estranhas começaram a acontecer.
crazy

You will be
